Cheiro das Coisas (ou vontade de voltar)

Gosto do cheiro das coisas. Do cheiro e dos sons que as coisas fazem quando fazem o que foram feitas para fazer. Gosto de coisas, Mas gosto mais de pessoas. Às vezes, as pessoas têm cheiros; às vezes, têm sons. Às vezes, as pessoas são coisas. E eu gosto do cheiro das coisas. Do cheiro e dos sons que as coisas fazem quando fazem o que foram feitas para fazer. Já li em algum lugar que o olfato é nosso sentido mais ligado à memória. Li isso e fiz questão absoluta de não procurar uma confirmação. Vai que é mentira

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Do que aprendi na escola!

Estive na escola desde que me entendo por gente. E para além de currículo, para além de matérias, aprendi muita coisa por lá. Sei que meu primeiro contato com aqueles muros altos do colégio de freiras causaram lágrimas, mas não nos meus olhos. Eu queria muito, muito mesmo entrar ali. E assim, depois desse primeiro dia, aos 2 anos de idade, começava uma história de amor. Na escola, descobri que ser filha única não significava não ter irmãos, porque, lá, tive dezenas deles. Aprendi que as regras existem para que o caos não se instale e aprendi a sofrer as

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Ela, ele e eles dois

E ela gostava muito de si mesma, mas não olhava com bons olhos para quem fazia o mesmo. Não era egoísta, mas tinha um certo desprezo generalizado pela humanidade. Pouca gente tinha lugar em sua vida. As pessoas a cansavam; mas, inacreditavelmente, gostava de ajudar quem precisasse (contanto que não precisassem bater um papo). Desconfio que esse dom-casmurrismo foi adquirido com muito esforço, como se ela tivesse trabalhado duro para forjar esse distanciamento. Numa dessas ironias da vida, que são na verdade o grande barato de se estar vivo, conheceu um rapaz simpático, do tipo que dá boa noite na

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